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Foco excessivo no retorno ao acionista é criticado por palestrantes na manhã do primeiro dia do 15º Congresso IBGC

13/10/2014
Palestrantes traçam panorama das empresas e a evolução dos temas da Governança nos últimos anos

Com as perguntas de o que vem a ser criação de valor na Governança e para quem, a moderadora do primeiro painel “A evolução da teoria sobre a criação de valor através de boas práticas de GC” e editora executiva da Capital Aberto, Simone de Azevedo, dá o tom do debate desta manhã no 15º Congresso IBGC. 

Para o sócio-fundador da Direzione Consultoria Empresarial, Alexandre Di Miceli, o objetivo maior da Governança não está sendo alcançado e este é um momento oportuno para se refletir sobre o assunto. 

Ele sinaliza que a discussão está em movimento nos EUA há 30 anos, enquanto no Brasil, 20 anos, sendo tema-chave na agenda dos administradores, reguladores e partes interessadas ainda mais em um contexto de turbulências.  Como exemplo citou falta de transparência, má análise de riscos, remuneração distorcida, corrupção e problemas trabalhistas e ambientais. “No Brasil, diversas empresas listadas apresentaram falhas substanciais de Governança. Os casos mostram que para as empresas a Governança está sendo uma ferramenta de marketing do que em princípios sólidos”, afirma ele. 
Como consequência, nota-se uma deterioração da percepção nos líderes empresariais, em que apenas 18% dos entrevistados confiam que eles tomam decisões éticas. O problema, segundo Di Miceli, está no foco excessivo para criar valor ao acionista. Para explicar, ele fez digressão sobre os marcos da construção do que chamou de dogma de que cabem aos administradores a maximização aos acionistas. 

Na prática, listou que isso tem levado a limitações a serem consideradas, como “muitos executivos e acionistas não estão preocupados com longo prazo; o conceito de criação de valor ter virado busca pelo resultado de curto prazo; nas empresas listadas, reduziu-se à maximização do preço das ações e a um processo crescente de financeirização das companhias”. 

Di Miceli afirma que as empresas devem sim proporcionar retorno aos acionistas, captar recursos e se manter competitiva. No entanto, devem ser orientados a ter perspectiva ampliada. “A própria medida de desempenho deve evoluir para indicadores mais amplos. A Governança também deve deixar de se concentrar em regramentos para ser no papel das lideranças, de forma a fazer q pessoas tenham voluntariamente cumprir regras e tomar decisões.”, exemplifica. 

Contexto global
O também palestrante, professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral, José Paschoal Rossetti, complementa Di Miceli e chama atenção para as mudanças vividas e aos anos de revolução em termos geopolíticos. “A cortina de ferro deixou de existir, passamos a ter um mundo quase único, embora com suas diferenças”. Rossetti lembra que em 1990, eram 23 mil empresas abertas no mundo, passando neste ano para 45 mil. Esse número crescente, porém, deve-se em especial às empresas asiáticas. “Em nenhum momento acrescentamos tanto em valor, serviços e expansão em tão pouco tempo. Isso tem de ser levado em conta.” 

Outro aspecto a considerar, observa Rossetti, está no foco dado aos estudos da Governança antes voltado à raiz da Governança, a exemplo do conflito de interesse, transações entre partes relacionadas e conflito de agência. Hoje ele destaca como novos temas o compliance, a resiliência, o ativismo, a expansão econômica sem precedentes, as mudanças no mundo corporativo nas estruturas societárias, processos sucessórios, a nova lógica competitivo e liderança, entre outros.  

Ao longo de sua experiência, Rossetti reforça que “a criação de valor prove de sistemas de Governança Corporativa competentes. A criação é sempre compartilhada”. 

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