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Questões estruturais de Governança são apontadas como essenciais para conselhos eficazes

13/10/2014
Conselheiros da BM&FBovespa, Suzano e WEG elencam o que consideram primordiais para tomada de decisão no colegiado

Palestrantes do penúltimo painel deste primeiro dia do 15º Congresso de Governança Corporativa listam pontos e práticas relevantes que contribuem para a tomada de decisão no conselho de administração. 

Para falar sobre o tema, foram convidados o executivo da Prada Administradora de Recursos e presidente do CA da BM&FBovespa, Pedro Parente, o presidente do Conselho de Administração, WEG S.A., Décio Silva, e o vice-presidente executivo da Suzano Holding e vicepresidente do Conselho da Suzano Papel e Celulose S.A., Claudio Sonder. 

Com a premissa de que cada empresa é diferente entre si, mesmo sendo de mesma natureza em relação a seu capital, Parente avalia que “o processo de decisão depende muito do grau de institucionalização”. “Já ouvi muito sobre profissionalização da gestão de empresas familiares, mas acho que mais relevante é a institucionalização, o respeito às regras do jogo”, reflete.

Nesse sentido, avalia que a escolha do principal executivo é a decisão mais relevante do colegiado, assim como o cuidado com a gestão de pessoas quanto à sucessão e retenção de talentos no primeiro nível da diretoria. “Se o papel do conselho é a escolha do diretor-presidente, a avaliação dele é fundamental”, explica Parente.

Cada um dos palestrantes apresenta uma lista de tópicos importantes ao conselho que em comum trazem questões não só ligadas a monitoramento, a exemplo da importância de se avaliar conselho, seus integrantes e o principal executivo, como também questões práticas, sendo citados a importância da distribuição prévia do material do conselho, o cumprimento da agenda de temas na reunião e até a quantidade de reuniões anuais e de membros. 

“Penso que sete conselheiros é um número ótimo, claro que depende da complexidade da companhia. Mas com mais de 11 membros vira uma assembleia e não um processo de debate”, avalia Silva, ressaltando que os integrantes do colegiado devem considerar tempo para “falar, ouvir, mudar ou manter posição”. 

Na construção de um conselho eficaz, Silva observa a necessidade também de se considerar o perfil dos membros. “Duas coisas que olho, primeiro a de cobrir lacunas estratégicas. E a segunda, são pessoas que tem independência e que vão confrontar o presidente do conselho e demais conselheiros”.
Parente também considera a composição relevante e de impacto à qualidade das decisões tomadas. “A primeira coisa a ser feita é a clareza das habilidades requeridas no conselho. Vejo a diversidade de habilidades. Acho um erro que se busque somente especialistas na empresa. É importante dispor de diferentes habilidades”, diz. 

Para Sonder, o conselho figura como catalizador tanto da formação da estratégia quanto do acompanhamento do processo de gestão e lista quatro “componentes fundamentais para o conselho tomar decisão certa e encaminhá-las de forma apropriada: comprometimento, conhecimento, processos e pessoas”. “Se trabalharmos as quatro dimensões podemos ter um bom conselho que cria valor”, conclui Sonder.

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