A governança como conhecemos e um novo chamado para a inovação

Artigo detalha aspectos históricos da governança e novas abordagens de desenvolvimento

  • 15/05/2020
  • *Autores Convidados
  • Artigo

A governança como conhecemos nasceu em 1600 na Holanda. A criação desta sociedade anônima visava principalmente confrontar a hegemonia ibérica no campo do comércio marítimo e se inspirava no bem-sucedido modelo da Companhia das Índias Orientais. Grandes ambições, missões caras e arriscadas para negócios com comércio de açúcar, especiarias, seda e ópio destinados aos mercados europeus demandaram a pulverização do capital entre vários investidores. Essa pulverização do capital agregou maior complexidade na definição de prioridades entre os acionistas. Um conceito fictício de entidade – “a corporação” foi criado para garantir controle dos ativos, resolver esse problema e dar mais segurança aos investidores.

Longevidade e governança  

Esse modelo de governança alavancou a propulsão de modelos tecnológicos na época. O Império Britânico se beneficiou dele, com os negócios emergentes dele decorrentes: a máquina a vapor, a descaroçadora de algodão e a substituição de energia humana, animal e de madeira por energia à base de carvão. Isso facilitou a aceleração do aprimoramento em novos modelos de governança, que se baseavam na gestão do conhecimento e de recursos de forma mais eficiente para o atingimento de resultados melhores em termos de custos e lucros. Facilitou também o nascimento de uma economia altamente qualificada e bem remunerada, proporcionada por ampla escolaridade e aprendizado, o que acelerou o desenvolvimento tecnológico e as oportunidades de inovação.

No século XIX, outra tecnologia disruptiva – a ferrovia deu origem ao aperfeiçoamento da governança das corporações, trazendo novos parceiros, principalmente instituições financeiras, no desenvolvimento de projetos ainda mais complexos e arriscados. Esses projetos, cujos escopos, ambições e transformações de natureza social, econômica e política do trabalho, promoveram grandes rupturas, adaptações e, principalmente, nas novas oportunidades de práticas de governança, gestão, pesquisa e inovação.  

Novos dias, novas abordagens: a learning community

Neste momento, enfrentamos uma fase de ressignificação sobre a influência da inovação em novos ativos e caminhos profissionais. O problema original para o qual governança foi criada mudou e continuará mudando. Precisamos repensar a melhor forma para uma governança no futuro sob a influência da inovação. Devemos ser corajosos para nos unir com novas vozes, de diferentes maneiras, com novas abordagens e analisar as perspetivas através de novas lentes.

Saber exercer influência sobre decisões de empresas, especialmente em um mundo em acelerada transformação, pode conduzir a grandes resultados. Informação, capacidade de comunicação, conhecimento, flexibilidade e criatividade são apenas alguns dos skills necessários. Para lidar com as crescentes e mais complexas demandas devemos ressignificar nossos sistemas atuais de governança, no intuito de alcançar melhores resultados, com consequente valorização de ativos de empresas e pessoas.

No IBGC, para alcançar esse objetivo, utilizamos o conceito de “comunidade de aprendizagem”. Ela permite o compartilhamento de conhecimento, práticas e experimentações, apresentando uma gama muito maior de influências para descobrir caminhos de aprendizado que melhor se adaptem à natureza dos problemas atuais e futuros. As abordagens tradicionais assumem um caminho de aprendizado “deliberado” que, em alguns contextos, não permite uma experiência mais vibrante, comprometida e impactante, pois se baseiam no ensino (foco no que é ensinado) e não na aprendizagem (foco no que é aprendido).

O IBGC propõe a criação, junto com você, do futuro da governança. Nosso objetivo é explorar como influenciar melhor essa mudança por meio da inovação. Para esse desafio, convidamos você a participar da nossa comunidade de aprendizado, uma experiência inédita que se propõe a discutir e trocar experiências dentro de um ambiente de confiança e com metodologias de aprendizagem modernas. Está na hora de olhar para a governança a partir da estrutura de nossos problemas atuais e futuros. Usamos o conceito de divergência e convergência com lentes de descoberta dentro do "discovery sandbox". Isso permitirá que juntos comecemos a ressignificar o papel da governança diante da dinâmica das incertezas do nosso ecossistema econômico, político e social.

Desde nossa primeira experiência com o sandbox em 23 de abril, procuramos pessoas que pensam, sentem e agem de forma diferente, a fim de criar uma abordagem mais robusta para aprender, aplicar e adquirir novas habilidades. Queremos nos juntar para impactar a governança com novos approaches de inovação. Agora é sua vez de se juntar aos nossos esforços. Você está pronto?

*Mario Bracco, Livaldo Santos, Renato Volponi são facilitadores e Kip Garland é criador da comunidade de aprendizagem do IBGC. Carlos Alberto Ercolin é conselheiro fiscal e instrutor do IBGC.

Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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