Do Sapiens às learning communities – um caminho que nos diferenciou

Artigo reflete sobre o papel da comunicação e da troca de experiências na evolução humana

  • 26/06/2020
  • *Autores Convidados
  • Artigo

A nossa espécie está sobre a face da Terra há pelo menos 150 mil anos, mas foi há cerca de 70 milênios que começamos a nos diferenciar das outras espécies animais. A partir desse momento da nossa evolução ocorreu o que cientistas chamam de Revolução Cognitiva, que explicam ter acontecido por obra de uma evolução ou mutação biológica, levando o Homo sapiens a se comunicar e a pensar de forma distinta. 

Começamos a contar estórias. Deixamos de usar nossa comunicação exclusivamente de forma utilitária, para avisar sobre perigos iminentes como fazem os outros animais, para floreá-las com informações acessórias: onde estava o perigo, qual o seu tamanho, o que fazer para vencê-lo e quando se arriscar. Não demorou muito e estávamos falando sobre nós mesmos: em quem confiar, o que tinha acontecido com a família, os vizinhos, enfim, a fofocar. Passamos a falar sobre as coisas não tangíveis como medos, mitos, personagens imaginados etc. Começava aí a jornada do Homo social. 

Nesse momento, a nossa evolução tomou um rumo diferente ante os outros animais. Enquanto eles ainda continuavam em um lento processo da evolução biológica, nós passamos, graças a essa nova capacidade de contar estórias, a evoluir na dimensão social. A partir daí ganhamos velocidade evolutiva e dores nas costas. 

A comunicação e o processo de socialização passaram a se alimentar mutuamente como catalisadores um do outro. A rapidez da evolução social gerou a necessidade de maior comunicação e, à medida que novos meios de comunicação eram disponibilizados, crescia a pressão para maior interação e, consequente, uma evolução social. Das pinturas rupestres ao Zoom passaram-se cerca de 40 mil anos, tempo que levou para que a transmissão das nossas estórias saísse da caverna para o espaço sideral. Vale lembrar que levamos menos de dois séculos para evoluir do telégrafo para o WhatsApp.

No percurso dessa nossa caminhada, a transmissão das experiências, do conhecimento e das estórias vividas em cada geração serviram de combustível para as gerações seguintes em uma progressão cada vez mais veloz. Os sistemas de educação como conhecemos hoje, nada mais fazem do que organizar em disciplinas esses conhecimentos registrados e os transmitir de forma estruturada para as gerações seguintes. 

A ressignificação do processo de educação que levou os Sapiens a uma acelerada evolução pode ser um dos caminhos para inovar na transmissão de conhecimento entre gerações. Essa alternativa à educação formal vem ganhando adeptos nos dias de hoje. As comunidades de aprendizado ou, como são mais conhecidas, learning communities, procuram resgatar as origens do nosso aprendizado em comunidade, dotá-lo de um propósito específico, assegurar e medir a criação de valor e, utilizando as ferramentas de comunicação que temos a nosso dispor, potencializar a experiência evolutiva que nossos antepassados das cavernas vivenciaram. 

Participar de uma learning community é fazer uma parceria de aprendizado com pessoas que consideram útil aprender umas com as outras sobre determinado tema. Cada participante se utiliza da experiência prática dos outros participantes como um recurso de aprendizagem, unindo esforços para que o aprendizado obtido faça sentido, além de se ajudarem mutuamente para enfrentar os desafios encontrados tanto no plano individual como no coletivo (alguém aí falou de sinergia?).  

Apesar da possibilidade da formação de learning communities fazer sentido para o processo educacional em geral, é na formação de executivos e conselheiros de empresas que ela vem ganhando grande aceitação. O cansaço com velhas fórmulas de ensino e a necessidade e a dificuldade em compartilhar incertezas e descobertas tem tornado as learning communities o espaço ideal para que essas experiências possam se dar em um ambiente de confiança.

A oportunidade que o IBGC propõe, na criação de sua learning community, é a de trocarmos experiências e aprendermos sobre os processos de governança e inovação: suas interrelações, seus impactos para as empresas e para a sociedade, e principalmente como podemos ser profissionais mais influentes.

*Kip Garland, Mario Bracco, Livaldo Santos, Ari Himmelstein, Renato Volponi e Thais Antoniolli fazem parte do squad da learning community do IBGC. 

Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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