Confira as rodas de diálogo on-line sobre gestão de crise

A ação foi promovida em apoio a conselheiros e demais gestores de empresas do Rio Grande do Sul, impactados pela tragédia climática

  • 12/06/2024
  • Angelina Martins
  • IBGC Comunica

Em consequência às fortes chuvas que impactaram o Rio Grande do Sul, em maio, e que geraram uma tragédia ambiental sem precedentes na região, o IBGC organizou três rodas de diálogo, on-line, para associados locais e demais interessados sobre temas com o objetivo de apoiar as empresas locais em períodos de crise, como o que ocorre desde as inundações que afetaram quase 90% dos municípios do estado.

A coordenadora-geral do Capítulo Rio Grande do Sul, Michelle Squeff, aponta que as rodas de diálogo, mais que apresentarem conteúdos, também registraram o sentimento do povo gaúcho e as reações de toda a comunidade do IBGC sobre o ocorrido: “Se antes éramos um estado conhecido pelo movimento separatista, hoje o que testemunhamos é um país inteiro mobilizado para resgatar, socorrer, acolher e abraçar o Rio Grande do Sul. Um claro sinal de que vivemos interconectados, com relações de interdependência, destacando a necessidade de pautar uma nova economia, embasada em negócios sustentáveis e também resilientes e regenerativos”, afirmou.

Lições aprendidas Brumadinho
Com mediação de Michelle Squeff, o primeiro encontro foi conduzido por Gleuza Josué, diretora de reparação da Vale, que atuou no caso do desastre ambiental em Brumadinho (MG): “Tivemos que rapidamente nos reestruturar e organizar como pessoas para poder avançar. O primeiro passo foi lidar com o emocional das pessoas atingidas. Abrimos uma área para nos fortalecer e lidar com revolta, dor, saudade, desespero, ódio”.

Após lembrar a perda de 272 vidas, dois nascituros e de três vítimas ainda não encontradas, Gleuza destacou: “ Diante desse cenário de guerra, como lidar, o que falar? A reação é reagir? Não. Ouvir. A escuta é fundamental num momento como o do Sul. É a questão do acolhimento. Fomos aprendendo no dia a dia e hoje, adquirimos certa experiência; e não somos mestres em assuntos de reparação, mas cada encontro, a cada reunião, é sempre um novo aprendizado”.

A diretora da Vale ressaltou que em prol da segurança das pessoas a empresa se reestruturou em termos de segurança tecnológica, inovações, “em tudo que possa reduzir a presença de ser humano em áreas de risco”. E disse: Ainda não chegamos na principal meta que é zero fatalidade. Para isso, continuam os investimentos em segurança de geotecnia, gestão de riscos, abertura para tecnologia e inovação. Não há uma área na Vale que não tenha passado por mudanças”.

Saúde Mental
O segundo tema, mediado por Cris Melchiades, foi conduzido pelo psiquiatra e cientista Diogo Lara, co-fundador da consultoria Cíngulo: “Como lidar emocionalmente com uma tragédia como essa, que impacta em todos os níveis? São reações emocionais, existenciais, fisiológicas, cognitivas (na capacidade de pensar frente ao estresse) e impacto social”, disse.

De acordo com o psiquiatra, após um evento trágico como o ocorrido no Rio Grande do Sul, existem 3 caminhos possíveis: adoecimento e diminuição da funcionalidade; recuperação semelhante aos níveis anteriores de saúde; e crescimento pós traumático, que é o acionamento de recursos de superação e fortalecimento, se tornando mais saudável do que antes do evento.

Entre outros pontos, Diogo Lara destacou as fases do trauma e sua recuperação, riscos da saúde mental dos gaúchos impactados pela tragédia, principais fenômenos mentais e modos funcionais de adaptação e enfrentamento, com base na aceitação, no enfrentamento, na abertura emocional, na busca por apoio externo e em saber ser vulnerável.

Governança em tempos de crise
O terceiro encontro foi conduzido por Denise Casagrande e teve como debatedores Carlos Rossi e Antônio Edson - os 3 conselheiros são instrutores do curso do IBGC com a mesma temática.

Conselheiro atuante em comitês de crise de empresas de diferentes áreas, Antonio Edson teve parte da família impactada pela tragédia e compartilhou com os participantes do evento um pouco da sua vivência, ao lembrar a iniciativa de criar um comitê de crise para orientação de familiares na tomada de decisões. Os primeiros passos foram salvá-los, mantê-los vivos (com alimentação, roupas, medicação) e depois encontrar abrigo para a família e pessoas próximas: “A reconstrução é o passo final. Quando se está em crise é preciso entender o tamanho dela e saber que vai passar; saber o tipo de decisão que se deve tomar”.

Em relação a seus clientes, Antonio Edson entrou em contato para saber como foram impactados e a partir daí auxiliá-los: “Algumas empresas já tinham acionado seus comitês de crise e começamos a orientá-las. Por outro lado, várias empresas não tinham pensado em práticas de curto prazo, como antecipação de salários e comunicados ao mercado”, detalhou.

Também Carlos Rossi compartilhou experiências enquanto conselheiro, e destacou a boa governança e o papel do conselho como determinantes para vencer uma crise, bem como o conhecimento estruturado da empresa para que problemas complexos sejam resolvidos: “Um dos tipos de crise que acomete as empresas é a externa, como a do Rio Grande do Sul, e nesses casos, o tempo e a dedicação dos conselheiros se tornam muito maiores, além do papel que têm em manter a calma e afastar o pânico”.

De acordo com Carlos Rossi, em momentos de graves crises as pessoas perdem o próprio centro e o conselheiro pode ajudar muito nesse sentido, tendo habilidade para ser agente de mudança, de enfrentameno de situações complexas, evitando-se a negação, seja no conselho e ou na gestão.


Associados do IBGC podem assistir as rodas de diálogo no Portal do Conhecimento.


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