Covid-19: conselhos no mundo reveem relatórios financeiros

Maior transparência é premissa dos boards para transmitir condições de mercado e riscos enfrentados por suas empresas

  • 16/10/2020
  • Equipe IBGC
  • Pelo Mundo

A pandemia do Covid-19 é presença sem previsão de partida até o momento. Ainda com altos índices de contaminação em países como Brasil e EUA, e com retomada de uma curva ascendente em toda a Europa, que tem levado governos a tomarem novas medidas preventivas, a preocupação com os riscos sanitários e econômicos é uma realidade. Além da busca incessante pela vacina contra o vírus que mudou a história do século XXI, a busca para adaptar os negócios ao novo cenário tem sido tema predominante ao redor do mundo.

E com a proximidade do fim de ano, época na qual as empresas precisam prestar contas aos seus stakeholders – incluindo aí os investidores financeiros – a forma como apresentar os relatórios financeiros e as ações estratégicas entraram na pauta dos conselheiros de uma forma muito particular.  O tema foi levantado recentemente em artigo da Accounting Today, de autoria do editor chefe da publicação, Michael Cohn.

Segundo Cohn, a pandemia levou os conselheiros de administração a buscarem uma maior transparência para transmitir algumas das condições de mercado em evolução e os riscos enfrentados por suas empresas.  O artigo usa dados de ima pesquisa de empresa de auditoria BDO para mostrar a preocupação dos boards com a maneira como vão divulgar seu desempenho este ano.

Governança, confiança e transparência

A pesquisa revelou que 73% dos 280 membros do conselho de empresas de capital aberto entrevistados disseram que aumentaram suas divulgações sobre riscos novos ou emergentes para seus negócios. Dos conselheiros ouvidos pela BDO, 46% afirmaram terem aumentado significativamente o tempo ou esforço dedicado a estimativas e previsões contábeis. Enquanto isso, 42% disseram ter aumentado divulgações sobre liquidez e 28% indicaram que consideraram a divulgação de prejuízos de ativos. 

Quase um quarto dos entrevistados pela pesquisa, 22%, disse que restaurar e manter a confiança dos acionistas é um dos desafios de governança mais significativos para a segunda metade de 2020. Em linha com a discussão sobre aplicação da governança para tratar as questões de apresentação financeira, o artigo de Lynn S. Paine, publicado na Harvard Business Review, discute um outro dilema da atualidade nos negócios: a questão dos pagamentos de dividendos.

Professora da Baker Foundation e reitora associada sênior para desenvolvimento internacional na Harvard Business School, diz que a decisão sobre política de dividendos, relativamente simples em cenários pré-pandemia, tornou-se uma questão complexa. Citando diversos exemplos de caso, mostra como as empresas têm pesado e balanceado os múltiplos fatores.

No artigo, ela salienta que este é apenas um exemplo da realidade que os conselhos estão enfrentando como resultado da Covid-19. Lynn reforça que o novo ambiente é caracterizado por um conjunto cada vez mais complexo de pressões e demandas de vários grupos stakeholders, expectativas elevadas de engajamento social e cidadania corporativa e incerteza radical sobre o futuro. 

Esses fatores estão complicando a tomada de decisões do conselho e desafiando o modelo de governança centrado no acionista que orientou os conselhos e líderes empresariais nas últimas décadas. Mas segundo Lynn, à medida que os conselhos olham para a era pós-Covid, vão querer avaliar sua prontidão para atender às novas demandas e desenvolver um plano para lidar com as lacunas que encontrarem. E os membros dos conselhos precisam garantir um entendimento compartilhado do seu papel e das suas responsabilidades. Para não perderem de vista suas funções centrais como órgãos de governança das empresas a que servem.



Confira as últimas notícias do Blog IBGC