“Novo Mercado transformou a governança em cifrões”

Maria Helena Santana, ex-presidente da CVM, considera que segmento foi alavanca para evolução da governança no Brasil

  • 26/11/2020
  • Ana Paula Cardoso
  • Congresso

O Novo Mercado ajudou a mostrar aos empresários, empreendedores e acionistas o valor que a governança corporativa traz para os negócios.  Esta foi a conclusão entre os participantes da sessão “Passado, presente e futuro do Novo Mercado”, que aconteceu na quinta-feira (26) durante o quarto ciclo do 21º Congresso IBGC, cujo tema abordado é “Governança ao redor do mundo. A plenária foi dedicada aos 20 anos da listagem Novo Mercado da B3.

Para Maria Helena Santana, conselheira de administração de companhias abertas e ex-Presidente da CVM a principal contribuição do Novo Mercado foi ter conseguido demonstrar, na prática, a tese de que o mercado de capitais pagaria mais por companhias que adotassem um relacionamento respeitoso e transparente com seus acionistas. “O Novo mercado transformou a governança corporativa em cifrões”, disse Maria Helena.  

Ela lembrou de uma conversa sua com um banqueiro de investimentos envolvido em IPOs no começo do Novo Mercado, que teve seu boom em 2007. O banqueiro, segundo ela, teria o costume de dizer aos empresários, ainda reticentes com as regras da listagem, que o múltiplo de um “Caixa 2” era somente um. Já o múltiplo que o mercado pagava pelas ações de suas empresas era muito maior. 

Esta era a forma usada pelo banqueiro para convencer alguns empresários a atravessarem toda a transformação necessária para levarem suas empresas ao Novo Mercado. E o argumento parece ter sido comprovado.

Constante evolução

 “Mais de 80% das companhias que fizeram listagem nesses últimos 20 anos ingressaram no Novo Mercado. O segmento virou o grande padrão de referência no mercado de capitais brasileiro”, lembrou Flavia Mouta, diretora de emissores na B3 e moderadora do debate. 

Segundo ela, parte deste sucesso está atrelado ao fato de que, de tempos em tempos, as regras são reavaliadas e as empresas decidem quais passos a mais precisam dar para a evolução do segmento.  Flávia citou como exemplo o avanço mais recente das regras do Novo Mercado: um capítulo sobre fiscalização e controle que trouxe, entre outras exigências, a implantação do comitê de auditoria.  

A adesão significativa de IPOs à listagem demonstra que o mercado de capitais entendeu que existe uma regra do jogo:  para se relacionar com acionistas, que são os fornecedores de capital, é preciso ter um alto nível de transparência em sua gestão. Em todo caso, as regras a serem cumpridas pelas empresas do segmento estão em constante evolução.   “Governança é um processo permanente e o IBGC se dedica a garantir esta continuidade”, disse Maria Helena Santana. 

ASG e Novo Mercado

E nesse caminho contínuo, há a agenda ASG. A última tentativa de inserir de forma sistemática a pauta ambiental, social e de governança nas regras do Novo Mercado foi em 2017. A proposta era a exigência de divulgação anual de relatório de sustentabilidade, incluída dentro de um padrão – qualquer que fosse - já existente em alguma parte do mundo. A mudança não foi aprovada na ocasião. Mas e se fosse feita hoje?

Eduardo Morais, gestor de ações da Claritas, acredita que dificilmente não seria aprovada a mesma proposta, se feita atualmente. “É impressionante como os empresários estão mais conscientes. Acho que realmente caiu a ficha”, disse Eduardo. 

Corrobora com a opinião Guilherme Sampaio Monteiro, sócio do Pinheiro Neto Advogados atuante em IPOS. Para ele, hoje as companhias estão mais preparadas. Ele compara as empresas que sequer tinham auditoria no início dos anos 2000 e agora acham impensável não terem controles. 

Para Monteiro, o mercado se educou e sabe que haverá cada vez mais exigência em relação às questões ambiental e social, principalmente. “O tema ASG está dando sopa e talvez seja uma boa ideia o Novo Mercado abraçar essa agenda”. 


O 21º Congresso IBGC acontece entre 3 e 27 de novembro e conta com patrocínio de KPMG, B3, Brunswick, Diligent, Bradesco, Cielo, Domingues Advogados, INNITI, Itaúsa e Nasdaq MZ. Para saber mais, acesse aqui

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