8 princípios para uma governança eficaz na questão do clima

Preceitos base do Chapter Zero Brazil estão reunidos em publicação que direciona empresas a priorizar sustentabilidade como área de negócio

  • 23/08/2022
  • Angelina Martins e Gabriele Alves
  • Portal do Conhecimento

Em 2019, em reunião do Fórum Global de Davos, foi publicada uma carta com a lista dos 8 princípios que buscam fornecer orientações úteis aos conselhos, reconhecendo que a governança climática é fundamental para a boa governança corporativa.

Tais princípios têm por objetivo mobilizar a alta gestão das organizações para abordar o desafio da mudança climática, que é o propósito da Climate Governance Initiative (CGI), do Fórum Econômico Mundial, integrada por grupos chamados de chapters e que no Brasil é representada pelo IBGC como Chapter Zero Brazil.

Partindo do princípio de que as mudanças climáticas têm estabelecido, cada vez mais, uma relação disruptiva com os negócios e que isso tem causado impactos físicos sem precedentes, como a elevação do nível do mar e o aumento na frequência de eventos climáticos extremos, o IBGC publicou em julho de 2022, a versão brasileira de How to Set Up Effective Climate Governance on Corporate Boards -- Guiding principles and questions, publicada originalmente pelo Fórum Econômico Mundial, em 2019.

Com o apoio do Chapter Zero Brazil, o conteúdo instrui como estabelecer uma governança climática efetiva nos conselhos de administração. O Blog IBGC resumiu, a seguir os 8 princípios, confira:

Princípio 1 – Responsabilidade climática nos conselhos Versa sobre a prestação de contas dos membros do conselho de administração perante os seus representados, que são acionistas, investidores, donos de empresas. Os modelos de negócios têm que ser revistos para garantir a sustentabilidade, inclusive econômica da companhia.

Princípio 2 – Domínio do tema O conhecimento científico é relevante para assegurar informação para o debate e os conselhos precisam buscar conhecimento entre seus pares, seja com apoio de comitês de assessoramento e ou de especialistas que possam integrar o próprio conselho.

Princípio 3 – Estrutura do Conselho Qual é a composição e a governança regimental do conselho para assegurar a condução adequada do tema? Não basta a discussão, se não for ordenada e pautada para ter relevância na estratégia da companhia. Isso, do ponto de vista prático, se faz por meio da governança do próprio conselho, então a composição e forma de atuar do conselho regimental é que demonstrará se está se usando a pauta de maneira estratégica.

Princípio 4 – Análise de materialidade É a materialidade - o quanto o assunto clima é relevante para o modelo de negócio da empresa; pode-se ter que mudar o objeto social, a direção completa dos negócios, e isso se faz a partir da avaliação de materialidade. Na medida em que a prioridade é trabalhar com risco e perenidade da empresa, o tema climático entra com relevância equivalente a qualquer outro que tenha a ver com a sobrevivência da companhia. Este olhar precisa ser a curto, médio e longo prazo, sob pena de não se fazer as mudanças com a velocidade e o contexto que se impõe.

Princípio 5 – Integração e estratégia Propõe garantir a transversalidade do assunto para munir o planejamento e a tomada de decisão nas outras esferas da empresa. Uma coisa é uma decisão estratégica e direção provida pelo conselho e outra coisa é executar a tomada de decisão baseando-se naquele direcionamento estratégico.

Princípio 6 – Incentivos Como acontece em outros temas na empresa, para não perder a objetividade e performar, a companhia precisa monitorar e materializar por meio de indicadores. Existe um nível de subjetividade sobre sustentabilidade, políticas ambientais e iniciativas ESG, que pode ser mais ou menos objetivo, conforme o racional da companhia. O grau de importância de um assunto tem a ver com indicadores de performance e remuneração escolhidos pela companhia para todos os níveis de liderança e gestão.

Princípio 7 – Relatórios de divulgação Há empresas obrigadas a comunicar determinados assuntos, com regras e obrigações estabelecidas por órgãos reguladores e existem as que não são sujeitas a tantas obrigações, mas são demandadas por parceiros de negócios (consumidores, cadeia de suprimentos, investidores)  para evidenciar seus compromissos e impactos ambientais; isso gera engajamento, na medida em que a organização se coloca para seu público como alguém que age em determinados segmentos, principalmente de ordem socioambiental.

Princípio 8 –Intercâmbio É necessária a abertura para o diálogo com os stakeholders, a forma com que a companhia se relaciona com o mundo para construir soluções equiparadas ao seu negócio e de forma a perseguir os melhores resultados na temática climática e socioambiental. Além de se colocar numa vitrine, onde mostra boas práticas e demonstra que seus resultados têm relação com as boas práticas em sustentabilidade, a empresa pode identificar nos seus pares oportunidades para seguir, se inspirar e oxigenar o seu discurso e isso é importante para o mundo cada vez mais global.

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