Transformação digital e seus riscos

Conselheiros e demais lideranças devem estar atentos para garantir perenidade de suas empresas

  • 18/07/2022
  • Roberto Lamb, membro da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos IBGC
  • Artigo

Transformação digital é a mutação dos modelos de negócios e da forma de geração de valor de uma empresa, numa estratégia desenhada para esse fim que se utiliza de inovações tecnológicas digitais e novos paradigmas. A transformação digital das empresas traz consigo a chave da sua sobrevivência e um conjunto de novos riscos e incertezas.

A compreensão da necessidade (ou urgência) de desenvolver tempestivamente um programa de transformação digital na organização, é mais dificultosa e imprecisa para empresas que operam mais distantes dos clientes finais. Seu desafio é como compreender e reagir ao comportamento dos clientes, e não somente dos clientes diretos, mas dos clientes finais, com os quais têm pouco contato. A transformação digital tende à formação de ecossistemas, de redes complexas que abrangem desde fornecedores e parceiros até o cliente final.

Não é possível separar cultura e transformação digital, pois, não importa quão boa é a estratégia, os planos irão falhar sem uma cultura que encoraje as pessoas a implementar essa estratégia. A transformação digital introduz novas metodologias e práticas de trabalho que incidem diretamente e provocam grandes mudanças na cultura organizacional. Com a transformação digital nasce uma nova cultura, questionando crenças e hábitos estabelecidos.

O conselho de administração (CA) deverá estar atento a essa mudança, com atenção ao sistema de incentivos. A tolerância, com aprendizado, pelo erro deve estar na atenção do CA. As empresas precisam adaptar-se para uma cultura voltada para o aprendizado contínuo, a colaboração e a tolerância a erros.

As empresas que iniciem a jornada de transformação digital deverão cada vez mais implantar uma cultura de inovação. A transformação digital se beneficia de uma cultura de inovação que precisa ser estimulada. E os colaboradores precisam ter a certeza de que serão ouvidos e de que suas opiniões serão realmente avaliadas e consideradas.

A iniciativa de transformação digital já é uma resposta ao risco de disrupção que enfoca o risco da própria continuidade da organização. Para isso necessita de uma determinação clara do CA. É importante que o conselho de administração, além de determinação, apresente na sua composição a diversidade de talentos que garanta a adequada compreensão da dimensão do processo de transformação (digital e cultural). E sobretudo que tenha uma estratégia clara de para onde a organização pretende chegar.

A Presidência, que liderará a organização durante essa jornada, deve estar engajada no processo e estar totalmente alinhada com o CA e com a estratégia escolhida. Seu sistema de incentivos deve incorporar essa responsabilidade. No processo de reflexão para o trabalho aqui referido, os seguintes riscos foram identificados:

• A estrutura hierárquica. 
• A transformação digital ser em um fim em si mesma.
• A dinâmica do conselho de administração não acompanhar a dinâmica do processo de transformação digital.
• A eventual dificuldade da empresa em lidar de forma criativa com o erro.
• Terceirizar tarefas ligadas a competências essenciais.
• Iniciativas parciais que afetem a arquitetura dos sistemas e processos.
• Contratos de colaboração e parcerias entre empresa, e concorrentes, sem a devida cautela na sua redação e na seleção dos parceiros. 
• Alocação de recursos insuficientes, falta de orçamentos específicos.
• Inadequação ou pouco impacto dos processos de transformação implantados, por acompanhamento e avaliações inadequados das reações dos interessados durante o processo de transformação.
• Conflito de interesses entre as funções que têm que continuar gerando resultados e as funções voltadas ao processo de transformação
• Falta de analistas e especialistas qualificados na estruturação e análise dos dados.
• Vulnerabilidade cibernética de sistemas legados.
• Uso de dados sem a adequada conformidade com as legislações de proteção de dados.
• Riscos operacionais relevantes que podem surgir durante o processo.
• Inadequação de controles internos para o processo de transformação digital, ou sua ausência.

A transformação digital é uma realidade em andamento em empresas estabelecidas, e será um processo inevitável para todas as organizações nos próximos anos. É uma mudança integral, que requer determinação, planejamento e execução atenta. Os riscos aqui comentados são aqueles que entendemos mais relevantes para a consideração dos conselhos de administração.

Sobre o autor: Roberto Lamb é membro da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos IBGC.

Este documento é um resumo da publicação Transformação Digital – Riscos Envolvidos no Processo e Recomendações ao Conselho de Administração produzido pelo grupo de estudos “Transformação Digital” da Comissão de Gerenciamento de Riscos Corporativos do IBGC. Para conferir as recomendações de tratamento para cada risco aqui mencionado, consulte a publicação na íntegra clicando aqui.


Este artigo é de responsabilidade dos autores e não reflete, necessariamente, a opinião do IBGC.

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