Sobre a Cop-26: “o senso de urgência tem que ser muito maior”

Marina Grossi, Ana Toni e Solange Ribeiro falam sobre as perspectivas para a COP-26. Brasil tem potencial de liderar metas

  • 07/10/2021
  • Gabriele Alves
  • Congresso

Durante o segundo dia do 22º Congresso IBGC, a estação Ambiental Social - tão relevante à jornada de governança que o evento propõe - foi marcada pela palestra "Perspectivas da COP26 no Brasil e no mundo”. Com moderação de Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, o CEBDS, e participação de Ana Toni, diretora-executiva do Instituto Clima e Sociedade e Solange Ribeiro, presidente adjunta no Grupo Neoenergia, o debate focou em dois principais pontos: o papel do conselho de administração na emergência climática e como as empresas brasileiras devem se preparar para a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP-26 que será em novembro, em Glasgow.

“Ao meu ver, a COP-26, depois da conferência de 2015, é a COP mais importante que estamos tendo, é um ano histórico. Mas o senso de urgência para essa agenda caminhar tem que ser muito maior”. iniciou Marina

Diversidade nos boards e emergência climática: “cadê o especialista em clima?”

Ana Toni, por sua vez, abordou a importância de desenvolver processos econômicos e sociais diferentes do passado, menos poluentes e isso envolve maneiras diferentes de produzir, consumir, acessar investimentos e pensar em novos empregos. “O tema do clima nos obriga a olhar para uma nova geopolítica”, ponderou.

Para ajudar a pensar em como traduzir o tema aos boards, Ana destacou a diversidade como elemento que pluraliza as pautas, percepções e ideias nesses espaços. Para ela, o que falta é ter pessoas que conhecem muito sobre o clima e que ajudem a fazer esses links, não só em termos temáticos, mas que tragam políticas internacionais para dentro dos conselhos.

“A COP-26 é ‘um’ momento de negociação, mas não é ‘o’ momento, porque o problema do clima é um problema do presente e não do futuro, muito importante para o Brasil, inclusive. Ali estarão definidas estruturas de mercado e isso cria incentivos ou dificuldades dependendo dos setores”, descreveu Ana ao entrar no tema da pegada de carbono.

A competitividade brasileira como diferencial

Sobre as reduções nas emissões de carbono, Solange Ribeiro destacou que energia renovável é uma das grandes alavancas para o Brasil. Durante o debate, ela contou que o setor elétrico, por exemplo, é um elemento chave para constituição de uma política de baixo carbono e que o tema da economia de eletricidade durante a COP-26 vai passar muito pela questão da energia renovável. O Brasil, nesse sentido, já provou ser uma fonte de energia competitiva que proporciona crescimento regional, gera emprego e acelera a economia como um todo, então, não poderá ficar de fora.

“A vulnerabilidade em virtude da pandemia de Covid-19, aumentou ainda mais a necessidade de construir uma economia mais resiliente, com um planeta mais inclusivo e sustentável. Ninguém duvida que as mudanças climáticas estão aí. Todo mundo concorda. Mas o IPCC (relatório climático da ONU) evidenciou que as mudanças são mais rápidas do que a ciência previu. Como faremos para sair dessa?”, questionou Ribeiro, reforçando, na sequência, que as empresas precisam aumentar sua ambição para lutar contra as mudanças climáticas.

Afinal, como se preparar para a COP-26?

As especialistas se preparam para embarcar para Glasgow, na Escócia e ainda disseram que o Brasil precisa chegar na conferência demonstrando as vantagens competitivas da economia de carbono, porque é uma oportunidade de não ficar  de debate. Entre outros pontos da plenária, foi possível ouvi-las falando da questão regulatória uma vez que a questão é multissetorial e todos estão em busca dessa agenda sustentável e inclusiva. Elas ainda ressaltaram que na disso é possível sem uma governança corporativa robusta que cobra e mensura os indicadores e as métricas, para que elas sejam de fato incorporadas dentro dos objetivos da empresa.“Isso é um risco mandatório, não é mais opcional”, ressaltou Solange.

No Brasil, o IBGC representa o Chapter Zero e tem o compromisso de promover conteúdos e eventos para informar, trocar ideias e compartilhar experiências sobre ações que minimizem as mudanças climáticas, em prol do planeta. O objetivo é sensibilizar e capacitar as lideranças empresariais para realizarem efetivas mudanças. Sobre a questão climática COP, é possível encontrar conteúdos relevantes no Blog IBGC sobre o assunto, clique aqui

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